terça-feira, 29 de setembro de 2009

Crônica de um apaixonado




A mim, sempre pareceu que ela esteve aqui, é difícil imaginar de outra forma ou então estaria destruindo nosso romance, selado com sacrifícios e satisfações. Não me recordo ao certo sua chegada, mas me lembro perfeitamente da luz que ela trouxe em minha vida, de repente as casas, o bairro, o mundo ficou tão iluminado que parecia um grande espetáculo de circo. Naquela época, meus irmãos e eu passeávamos de trem por todo interior de São Paulo, visitávamos alguns parentes, não sei ao certo se eram parentes ou chegados, mas lembro bem das piadas sem graças que meu tio Pedro contava durante o longo percurso. Durante esse tempo presenciávamos a constante modificação da paisagem interiorana, aos poucos as estradas davam lugar a rodovias e grandes casas e inexplicavelmente eu a via a cada quilometro percorrido, claro que ainda singela, miúda, como se brincasse de pique – esconde comigo. Assim durou toda minha infância, insaciado pelo desejo de tê-la para mim, invejando outros rapazes, que na minha idade já desfrutavam de um amor, acordando no meio da noite, sentindo um vazio, uma falta que não sabia explicar. Até que um dia não deu mais, resolvi ir ao encontro de meu objeto de desejo, Em minha casa foi um tremendo choque quando apareci com ela, como eu era ainda muito jovem meus pais temiam que eu deixasse meus estudos de lado para ficar com ela. Mas aos poucos eles foram percebendo que com ela ao meu lado os estudos alavancavam e seu auxílio era indispensável para meu crescimento profissional. Hoje todos confiam em sua capacidade, depois de anos lado a lado eu posso dizer de boca cheia que sempre há por traz de um homem de sucesso uma... Tecnologia de ponta.

Intertextualidade no livro “Admirável mundo novo”


Por se tratar de um livro polêmico, o famoso livro de Aldous Huxley vem a ser quase uma profecia desses novos tempos em que a tecnologia dominou a civilização e a transformou em uma esfera de acontecimentos repentinos, causando diversas preocupações aos tecnófobos de plantão. Naquela época (1932) em que o livro foi escrito, seu contexto não passava de um romance científico onde o sentimentalismo é deixado de lado em prol das novas técnicas e uma vida especializada, falava-se de assuntos embriológicos, clonagem múltipla e no campo amoroso relacionamentos curtos onde todos ficam com todos. Em contrapartida temos um jovem (Bernard) que começa a questionar e sentir esse vazio aos quais os homens se assemelham a meros robôs.
O livro trata de assuntos aos quais hoje são comuns ao nosso tempo, no campo amoroso, na tecnologia avançada, na própria forma de nos relacionarmos com os outros, embora o modo de vermos essas mudanças não se resume apenas aos avanços científicos, mas ao próprio modo que o ser humano encontrou para estar no mundo.
Diante disso, outros artistas utilizaram o título do livro como pano de fundo para argumentar sobre assuntos também polêmicos, como Zé Ramalho com a música “Admirável gado novo” que trata da questão agrária no Brasil. Mas voltando para o assunto em questão encontramos a música de Pitty cujo título é “Admirável chip novo” onde se passa por um robô para falar da sociedade moderna.
Segue a letra:

Admirável Chip Novo




Composição: Pitty

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)
Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)
Mas lá vêm eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Tempos Modernos"


Quando nos remetemos a pensar sobre esse novo tempo, nos encolhemos e torcemos para que as mudanças sejam sempre positivas no campo da tecnologia, como a cura de sérias doenças, a descoberta de novos métodos que proporcionem um maior conforto para essa vida tão agitada. Há aqueles que estão sempre esperando o pior, mas não ocorre dizer se tamanha descrença parte de um desconhecimento da própria tecnologia ou mesmo do próprio homem. Cabe lembrar que o homem em sua magnitude criou coisas que até Deus duvida, mas também destruiu como em um quebra-cabeça e se nossos tempos modernos se referirem a uma nova criação que esta venha somente para edificar.
E que a tecnologia seja uma ferramenta para auxiliar a vida cotidiana e não um meio de alienação entre os grupos mais jovens, pois estar atualizado é praxe nos dias atuais, mas não ao ponto de trocar o real pelo virtual.