domingo, 12 de setembro de 2010

Múltiplas faces da realidade em “O show de Truman”



Do diretor Peter Weir e roteirista Anddrew Niccol, o filme mostra o sensacionalismo demarcado pela televisão na sociedade atual e a alienação imposta pelas vias midiáticas a fim de fazer de uma vida comum, um show de televisão, ou seja“O Show de Truman".

Truman Burbank (Jim Carrey) é um corretor de seguros com uma vida pacata e comum até demais para ser realidade, o fato é que não é mesmo realidade, pelo menos não para os espectadores. Truman vive em um reality show sem saber que não passa de uma mercadoria dentro de um sistema capitalista manipulador e opressivo.

Em um mundo virtual tudo a volta não passa de um cenário, sua casa, suas coisas e mesmo a família e os amigos sendo apenas elenco enunciando um aparente comercial de TV, além disso, temos a figura de Cristof (Ed Harris) como criador desse show.

Em meio a tudo isso, temos em Truman a figura de um homem ingênuo, presa fácil de dominar devido ao fato de que não conhece se quer os limites de sua cidade, por jamais ter saído de lá. Mas certo dia essa história irá mudar, pois Truman decide explorar sua história, descobrir quem realmente é.

A partir daí teremos duas perspectivas, a de Truman em sua saga rumo à sua identidade e de seus espectadores, frenéticos, tentando descobrir o desfecho desse espetáculo, tudo isso tendo como pano de fundo a publicidade implícita no cotidiano das personagens (como o achocolatado da sua esposa).

O destino de Truman é Sylvia nas ilhas Fiji, o caminho, conturbado, com direito a grandes tempestades com finalidade de detê-lo de seu objetivo, contudo ele consegue chegar até lá conquistando sua liberdade e de seus espectadores, libertando-os da influência do reality show.

No mais, O show de Truman questiona a condição humana em seu estado de conformismo, aceitando a realidade do mundo da forma que lhes foi apresentado como diz Christof em uma entrevista, assim seu “mundo real” é tudo lhe foi atribuído e sua aceitação passa a ser uma condição existencial.

Ficha Técnica:

Titulo no Brasil: O Show de Truman, O Show da Vida

Título Original: The Truman Show - EUA, 1998

Duração: 103 minutos
Gênero: Drama
Direção: Peter Weir
Roteiro: Andrew Niccol

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

Ligações perigosas em Passione


A novela Passione de Silvio de Abreu que vem sendo apresentada no horário nobre da emissora Rede Globo tem em seu enredo uma espécie de tragédia cômica onde suas personagens não podem ser definidas ao certo pela sua personalidade, o que faz o seu público, muitas vezes torcer pelos vilões, quando deveria ser o contrário.

Além disso, a trama conta com um time de primeira em se tratando de golpistas, já que temos como protagonista uma vilã com rosto de anjo (Clara) e seu aliado (Fred), também um homem de garbo, preparados para passar a perna no pobre Totó (Toni Ramos), homem simples do campo. (talvez isso possa alertar as pessoas a não confiarem em um rosto bonito).

Para piorar, temos como tema principal, ou mesmo como “moda,” diversas traições que norteiam e apimentam a novela, ainda mais que “fica tudo em família”, é mãe com namorado da filha, cunhado com cunhada, são filha e neta casadas com o mesmo homem e por aí vai...

Com tanta grosseria e malandragem assim, fica apenas algumas idéias pejorativas a respeito do papel da mulher como a de uma desocupada atrás de um belo golpe, já que, com exceção de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e de Maria Candelária (Vera Holtz), ninguém trabalha nessa novela!

Para tanto, a influência que a novela pode exercer na sociedade diz respeito aos valores morais que a todo tempo são colocados na balança. Essa normalidade com que se trata a traição, o abuso do poder, as chantagens e todo tipo possível de falcatruas levam-nos a certeza de que se a arte imita a vida, ela anda com os ponteiros inclinados para os sentimentos maléficos e pior, rotineiros, exibidos com naturalidade na programação das oito.

domingo, 22 de agosto de 2010

O retrato da família brasileira?

Um dos programas de maior audiência dos últimos anos e que a mais de uma década cativa a família brasileira com suas histórias corriqueiras que acabam misturando ficção e realidade, atende pelo nome de “A grande família”, programa apresentado todas as quintas-feiras pela emissora Rede Globo.

Destinada ao público de qualquer idade, o programa humorístico destaca-se pela simplicidade com que retrata uma família brasileira de classe média, a começar pelo patriarca da família, um funcionário público, todo certinho, com uma esposa ainda aos moldes antigos de dona de casa e esposa dedicada. Como se não bastasse, com uma filha casada com um malandro do jeitinho bem brasileiro e um filho não muito dado ao trabalho.

Porém o programa ressalta o tempo todo, a importância da instituição familiar que se mantém firme mesmo diante de vários percalços, além deste, outros valores pregados no seriado diz respeito à honestidade, confiança entre outros sentimentos que as personagens enfrentam em seu dia a dia.

Em cada programa um tema de cunho social é tratado pela família, quase sempre servindo de exemplo para seus telespectadores, entre eles já foi demonstrada a questão do preconceito ao homossexualismo e mesmo a política que tem na figura de “Agostinho” o exemplo típico do político no Brasil.

No mais, o objetivo do programa é levar o humor a família brasileira de forma honesta e simples, ressaltando a família como unidade fundamental na construção de valores, mesmo que, de vez em quando eles fujam do controle, é isso a representação de uma família tipicamente brasileira e muito amada por todos, o que resulta no sucesso que o programa é.

As mídias no centro do poder

Que as mídias ocupam um status privilegiado em se tratando em manipulação, todos sabemos, no entanto essa constatação de nada adianta já que continuamos a exercer nossa assídua função de telespectadores.

Pensando nisso, o diretor Costa Gravas, lançou em 1997 o filme “O quarto poder” onde este quarto poder era designado as mídias devido sua influência para a população em geral.

O filme se passa na cidade de Madeline, na Califórnia e tem como protagonista o ator Dustin Hoffman interpretando um repórter de uma grande emissora, que ao fazer uma cobertura em um museu, se depara com um ex-segurança, interpretado por John Travolta, ameaçando a diretora do museu com uma arma, para conseguir seu emprego e volta. Não obstante, o ex-segurança, em uma crise de nervos, dispara sua arma acidentalmente atingindo seu antigo colega de trabalho, como se não bastasse, um grupo de crianças que visitavam o museu acabam virando reféns do ex-segurança.

A partir daí, o cerco está armado, ou melhor, “o circo está armado”, já que, de forma sensacionalista o repórter aproveita da situação para se promover na imprensa, transformando a historia de um pai desesperado e desempregado na história de um bandido.

Diante disso, podemos perceber a influencia da mídia na formação e manipulação de opiniões e imagens, levando-nos a constatar que a maioria das informações que recebemos em nosso cotidiano é fabricada pela própria imprensa com o intuito de alarmar, distorcer, privilegiar e justamente causar polêmica, já que polêmica resulta em ibope.

Prova disso é o documentário de Simon Hartog intitulado Muito Além do Cidadão Kane” feito pela TV inglesa BBC, Channel Four em 1993, cujo intuito é mostrar o poder de manipulação da TV Globo, poder este tão grande que este documentário teve sua exibição proibida no Brasil. O documentário mostra que este poder ultrapassa os limites midiáticos atingindo as forças políticas do país.

Para isso, o dono da emissora, Roberto Marinho, fazia vista grossa para os acontecimentos inerentes a política do país, sendo assim, as noticias passavam primeiramente pela sua inspeção para só então ser repassado nas mídias.

No mais, tanto o filme “O quarto poder” quanto o documentário “ Muito além do Cidadão Kane” nos apresentam a outra face das mídias que de modo algum poderíamos imaginar, já que estamos tão ocupados procurando o controle remoto de nossa televisão.

Filmografia:
Título Original: Mad City

Título no Brasil: O Quarto Poder
Gênero: Drama

Direção: Costa-Gravas
Ano de Lançamento: 1997

Título Original: Beyond Citizen Kane

Título no Brasil: Muito Além do Cidadão Kane

Gênero: Documentário

Direção: Simon Hartog

Ano de Lançamento: 1993

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Crônica de um apaixonado




A mim, sempre pareceu que ela esteve aqui, é difícil imaginar de outra forma ou então estaria destruindo nosso romance, selado com sacrifícios e satisfações. Não me recordo ao certo sua chegada, mas me lembro perfeitamente da luz que ela trouxe em minha vida, de repente as casas, o bairro, o mundo ficou tão iluminado que parecia um grande espetáculo de circo. Naquela época, meus irmãos e eu passeávamos de trem por todo interior de São Paulo, visitávamos alguns parentes, não sei ao certo se eram parentes ou chegados, mas lembro bem das piadas sem graças que meu tio Pedro contava durante o longo percurso. Durante esse tempo presenciávamos a constante modificação da paisagem interiorana, aos poucos as estradas davam lugar a rodovias e grandes casas e inexplicavelmente eu a via a cada quilometro percorrido, claro que ainda singela, miúda, como se brincasse de pique – esconde comigo. Assim durou toda minha infância, insaciado pelo desejo de tê-la para mim, invejando outros rapazes, que na minha idade já desfrutavam de um amor, acordando no meio da noite, sentindo um vazio, uma falta que não sabia explicar. Até que um dia não deu mais, resolvi ir ao encontro de meu objeto de desejo, Em minha casa foi um tremendo choque quando apareci com ela, como eu era ainda muito jovem meus pais temiam que eu deixasse meus estudos de lado para ficar com ela. Mas aos poucos eles foram percebendo que com ela ao meu lado os estudos alavancavam e seu auxílio era indispensável para meu crescimento profissional. Hoje todos confiam em sua capacidade, depois de anos lado a lado eu posso dizer de boca cheia que sempre há por traz de um homem de sucesso uma... Tecnologia de ponta.

Intertextualidade no livro “Admirável mundo novo”


Por se tratar de um livro polêmico, o famoso livro de Aldous Huxley vem a ser quase uma profecia desses novos tempos em que a tecnologia dominou a civilização e a transformou em uma esfera de acontecimentos repentinos, causando diversas preocupações aos tecnófobos de plantão. Naquela época (1932) em que o livro foi escrito, seu contexto não passava de um romance científico onde o sentimentalismo é deixado de lado em prol das novas técnicas e uma vida especializada, falava-se de assuntos embriológicos, clonagem múltipla e no campo amoroso relacionamentos curtos onde todos ficam com todos. Em contrapartida temos um jovem (Bernard) que começa a questionar e sentir esse vazio aos quais os homens se assemelham a meros robôs.
O livro trata de assuntos aos quais hoje são comuns ao nosso tempo, no campo amoroso, na tecnologia avançada, na própria forma de nos relacionarmos com os outros, embora o modo de vermos essas mudanças não se resume apenas aos avanços científicos, mas ao próprio modo que o ser humano encontrou para estar no mundo.
Diante disso, outros artistas utilizaram o título do livro como pano de fundo para argumentar sobre assuntos também polêmicos, como Zé Ramalho com a música “Admirável gado novo” que trata da questão agrária no Brasil. Mas voltando para o assunto em questão encontramos a música de Pitty cujo título é “Admirável chip novo” onde se passa por um robô para falar da sociedade moderna.
Segue a letra:

Admirável Chip Novo




Composição: Pitty

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)
Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)
Mas lá vêm eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema.