sábado, 28 de agosto de 2010

Ligações perigosas em Passione


A novela Passione de Silvio de Abreu que vem sendo apresentada no horário nobre da emissora Rede Globo tem em seu enredo uma espécie de tragédia cômica onde suas personagens não podem ser definidas ao certo pela sua personalidade, o que faz o seu público, muitas vezes torcer pelos vilões, quando deveria ser o contrário.

Além disso, a trama conta com um time de primeira em se tratando de golpistas, já que temos como protagonista uma vilã com rosto de anjo (Clara) e seu aliado (Fred), também um homem de garbo, preparados para passar a perna no pobre Totó (Toni Ramos), homem simples do campo. (talvez isso possa alertar as pessoas a não confiarem em um rosto bonito).

Para piorar, temos como tema principal, ou mesmo como “moda,” diversas traições que norteiam e apimentam a novela, ainda mais que “fica tudo em família”, é mãe com namorado da filha, cunhado com cunhada, são filha e neta casadas com o mesmo homem e por aí vai...

Com tanta grosseria e malandragem assim, fica apenas algumas idéias pejorativas a respeito do papel da mulher como a de uma desocupada atrás de um belo golpe, já que, com exceção de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e de Maria Candelária (Vera Holtz), ninguém trabalha nessa novela!

Para tanto, a influência que a novela pode exercer na sociedade diz respeito aos valores morais que a todo tempo são colocados na balança. Essa normalidade com que se trata a traição, o abuso do poder, as chantagens e todo tipo possível de falcatruas levam-nos a certeza de que se a arte imita a vida, ela anda com os ponteiros inclinados para os sentimentos maléficos e pior, rotineiros, exibidos com naturalidade na programação das oito.

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